quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vida Completa

Interessante a força que a gente faz pra continuar vivendo (macrobiótica, comida natural, só como ervas e sementes, sou vegetariano, etc.), ginástica, pilates, exercícios anaeróbicos, o combate ao sedentarismo, etc. E o conhecimento que temos de nomes que desapareceram tão no início de suas vidas. Tais como Patápio Silva, fluminense de Itaocara, exímio flautista, anterior ao mestre Pixinguinha, desaparecido aos 26 anos numa excursão à Florianópolis; China, o cantor de voz forte dos Oito Batutas, grupo liderado por seu irmão e maior amigo Pixinguinha, aos 37 anos; Noel Rosa, de quem não se precisa dizer muito, devendo ser lembrado apenas de que se trata de “um dos maiores compositores de samba de todos os tempos”, desaparecido aos 27 anos; Castro Alves, um dos nossos pais da poesia, que ninguém vai fazer nada nunca parecido em beleza como “O Navio Negreiro”, falecido aos 24 anos; Joana D’Arc, heroína francesa, figura importante não só na história da França como na do mundo, talvez a mártir maior da intolerância da “Santa” Inquisição, coisa de padres, religiosos, clérigos e papas que nunca tiveram nada a ver com Deus, mas com os seus bens ou valores, de questionável teor espiritual, assassinada com a idade de 19 anos; e muitos outros.
São nomes que desapareceram em tenra idade, mas que continuam mais vivos do que nunca. Conseguiram e conseguem impressionar diferentes e múltiplas gerações, enquanto a nossa longevidade não terá assim tanta chance de impressionar muita gente.
Mas é claro que não devemos nos descuidar do corpo, assim como da mente. Afinal, quem tem..., tem medo. Nem seria justo esperar que nos parecêssemos com esses verdadeiros expoentes da natureza humana que acabamos de citar. Ou ter suas vidas como parâmetros. Temos as nossas individualidades. E podemos ter uma vida que surpreenda alguém perto da gente, sem surpreender o mundo, apesar de ela eventualmente durar bastante. Só que essa vida surpreendente certamente não se calcará apenas na sua duração física ou temporal. É preciso que cometamos alguma coisa, num plano que pouco terá a ver com a extensão da nossa permanência aqui no planeta. Ou seja, a duração da vida não é a garantia de que ela seja completa.


Rio, 02/07/2008
Aluizio Rezende

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