quarta-feira, 2 de julho de 2008

A V C

eu sei que a ânsia e o medo
me vêm quando acordo bem cedo
por falta daquele chamego
que eu tinha e também do aconchego

que sempre me deu alegria
do início até o fim do dia
o apoio e a segurança
além de uma grande esperança

de tê-la pra sempre comigo
e assim me afastar do castigo
de ter que acordar e não vê-la
e só me restar a estrela

que fosse escutar meu lamento
e ver todo o meu sofrimento
pois sem você falta o sono
e acordo em pleno abandono

bem antes de quando devia
e nem mesmo a Ave-Maria
que rezo pra mim é ajuda
é claro que é um Deus-nos-acuda

estou perto de um A V C
o médico veio dizer
talvez apnéia severa
não sei o que vem ou me espera

você sei que é minha cura
por isso ando à sua procura
talvez você venha com o vento
é esse o meu único alento

eu deixo a janela aberta
e escondo-me sob a coberta
talvez você venha com o sol
e queira trocar o lençol

e toda a roupa de cama
quem sabe se ainda me ama
quem sabe se ainda me quer
você certamente é a mulher

que nunca devia ter ido
me encontro assustado e perdido
porém jamais vou lhe dizer
que devo tudo isso A VC

Rio, 08/11/2007
Aluízio Rezende

Um comentário:

Pura Pérola disse...

Adorei este poema!...Entendí como um encontro consigo mesmo, pautando carências, ausências, saudade de quem partiu...
Voce é muito doce, naquilo que escreve!...BEIJOS POÉTICOS!!! Pura Pérola